E no meio do rio, fez-se um peixe. E no meio do peixe, surgiu um homem. Não era boto, nem manati. Mas, trazia consigo todas as lendas do mundo. Lendas que encantaram a menina loura e a levaram novamente ao encanto do sonho.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
para perto
obrigada.
sábado, 20 de dezembro de 2008
olha o começo
caiu da ponte meu tamanco. Não jogou a bicicleta pelos rios. Deixou somente um vazio.
sonolenta, disse Julia Dietrich 0 bocejos
terça-feira, 21 de outubro de 2008
aos tamancos - parte 2
Volto ao momento adolescente.
Para os tamancos.
O mesmo enredo de sempre, o mesmo personagem. O livre arbítrio e você, esquecendo sempre do elemento destino.
****
saber sempre tua temperatura
sorver a chuva que te molha
e acordar na tua boca
como saliva ácida
queimando tuas dores
ardendo em tua febre
viver na tua morte
recorrer ao segundo da tua eternidade
****
o seu olhar
Paulo Tatit / Arnaldo Antunes
O seu olhar lá fora,
O seu olhar no céu,
O seu olhar demora,
O seu olhar no meu,
O seu olhar, seu olhar melhora
Melhora o meu.
Onde a brasa mora e devora o breu
Como a chuva molha o que se escondeu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu.
O seu olhar agora, o seu olhar nasceu, o seu olhar me olha, o seu olhar é seu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu...
domingo, 17 de agosto de 2008
ao homem dos tamancos
A solidão dos além mares bate a minha porta. Repercurso. Revontade. ReJulia.
Em um momento bem menininha, bem diário virtual, posto uma canção:
****
You must have fallen from the sky
Glen Hansard & Marketa Irglova
"You must have fallen from the sky
You must have shattered on the wrong way
You brought so many to the light
And now you're by yourself
There comes a point in every fight
Where giving up seems the only way
When everyone has said goodbye
And now you're on your own
And if you need somewhere to fall apart
Somewhere to fall apart.
When the rules of Cain
The rights you made
The hours did crawl
For those to blame
The broken glass
The fool that asked
The moving arrow to stop
You must have fallen from the sky
You must have come here in the pouring rain
You took so many through the light
And now you're on your own
And if you need somewhere to fall apart
Somewhere to fall apart.
Well the ruins of man
The bloody rag
Be the fool the bull
The powdered hag
The nights that make
The rattle rag
The wolves that follow the ousted man
The falling star
The way we are Divine
The rules that never ever multiply
You must have fallen from the sky
You must have come here on the wrong way
You came among us every time
But now you're on your own
And if you need somewhere to fall apart
Somewhere to fall apart
Well they call you saint
The basket case
The rules of thumb
You have to break
The raging skull
The rag to the bull
The nails that drag
In either hand
Well I will make
My work of that
I know this place
I know this task
You must have fallen from the sky
****
Quedas, tropeços e a vontade de virar um astro...cruzar os céus, correndo, voando. Vontade de virar um tubérculo, criando raízes fundas, fundas, comendo tudo da terra, entrando na terra, me sujando de terra, aspirando terra. Vontade de virar éter e entorpecer-me de mim mesma e desaparecer em euforia, em êxtase, em ausência.
Vontade de ser espelho, daqueles quebrados, consumindo às gargalhadas 7 anos de azar.
o pacote carregou uma alma quietinha
quinta-feira, 31 de julho de 2008
engrenagem
Há tempo não posto nada por aqui. Escrevi esta brincadeira em Budapeste. Novamente, uma tentativa de conto. Ainda não sei o quanto me dou bem com esse estilo..., porém continuo me aventurando...
****
Motor
Carlos Alberto chegou do dentista decidido a mudar de vida. Sua nova estrada não era algo que sabia ao certo, porém reiterou a si mesmo que não mais aceitaria os motorzinhos do mundo. Sem deixar que o tempo lhe roubasse os desejos, correu para a frente do computador e encontrou na página solteiroqueralguém.com alguém com quem pudesse jantar.
Com pouco ou nenhum talento para escolher seu traje para o grande evento, optou por uma calça jeans e uma camiseta branca. Escolheu uma das últimas cuecas novas do pacote de R$15,99 e calçou um par de meias limpas.
Caminhou apressado, deixando as marcas do solado de borracha na saída. Tropeçou uma vez no portão e lembrou que não mais poderia evitar o conserto do pavimento no quintal. Decidiu, porém, que essa seria sua atividade de domingo, já que o jogo de futebol com Cléber fora cancelado.
Continuou correndo ofegante para o ponto de ônibus. Assim que se encontrou sozinho na rua, aproveitou e deu uma cheirada no próprio sovaco. Estava em ordem. Achou melhor não pegar o carro, pois assim teria a chance de acompanhar, a pé, a moça até sua casa. Como não tinha muito a oferecer, preferiu apostar que ela notasse o quanto era alto e atlético.
Fingindo ser um homem confiante tocou a campainha uma única vez e aguardou três longos minutos até que alguém abrisse a porta.
Ali estava ela. Não era particularmente magra, nem gorda. Tampouco era alta, mas também não era baixa. Não tinha os olhos castanhos claros, como seu perfil descrevia. Não era nenhuma dríade, mas, para a felicidade de Carlos Alberto, não era nenhuma medusa.
Era simples. Normal. Positivo ou negativo, não tinha nada que a destacasse na multidão. Já que ele também não tinha nada de espetacular a oferecer ao mundo, sentiu-se confiante. A ida postergada por tantos anos ao dentista tinha lhe feito bem.
Sem elevar o tom de voz, mas sem sussurrar não mentiu sobre a aparência da garota. Disse-lhe sem rodeios que ela estava ok. Ela não piscou, nem sorriu. Mas, também não se fez de rogada, nem se ofendeu com o comentário desajeitado.
- Fabíola. Você gosta de pizza?
Ela acenou afirmativamente e segurou sua mão. Juntos caminharam até a Donna Nonna, onde se sentaram em uma mesa discreta. O cardápio veio e com ele duas taças do vinho da casa oferecidas como gentileza ao cliente fiel.
Comeram sem muito falar, discutindo as amenidades de um primeiro encontro. Decido a não se irritar com pequenas coisas, Carlos Alberto fingiu não se importar com o mastigar um pouco exacerbado da garota. E ela, também, NAQUELE estágio de vida se forçou a ignorar as pequenas manchas de suor amarelado na camiseta branca do rapaz.
Saíram ainda mais quietos do que entraram e caminharam de volta ao apartamento da garota. Sem cerimônia, ela o convidou para entrar e ele aceitou. Despiram-se e deitaram na cama. Transaram de forma sutil. Não foram animais, mas também não estavam mortos. Dormiram.
No dia seguinte, Carlos Alberto se levantou e voltou ao dentista para a continuação do tratamento de canal. Nunca mais telefonou para Fabíola e ela não se importou.
Desde então, ele não mais foi ao dentista e não mais ouviu o insuportável barulho do motorzinho.
Carlos Alberto chegou do dentista decidido a mudar de vida. Sua nova estrada não era algo que sabia ao certo, porém reiterou a si mesmo que não mais aceitaria os motorzinhos do mundo. Sem deixar que o tempo lhe roubasse os desejos, correu para a frente do computador e encontrou na página solteiroqueralguém.com alguém com quem pudesse jantar.
Com pouco ou nenhum talento para escolher seu traje para o grande evento, optou por uma calça jeans e uma camiseta branca. Escolheu uma das últimas cuecas novas do pacote de R$15,99 e calçou um par de meias limpas.
Caminhou apressado, deixando as marcas do solado de borracha na saída. Tropeçou uma vez no portão e lembrou que não mais poderia evitar o conserto do pavimento no quintal. Decidiu, porém, que essa seria sua atividade de domingo, já que o jogo de futebol com Cléber fora cancelado.
Continuou correndo ofegante para o ponto de ônibus. Assim que se encontrou sozinho na rua, aproveitou e deu uma cheirada no próprio sovaco. Estava em ordem. Achou melhor não pegar o carro, pois assim teria a chance de acompanhar, a pé, a moça até sua casa. Como não tinha muito a oferecer, preferiu apostar que ela notasse o quanto era alto e atlético.
Fingindo ser um homem confiante tocou a campainha uma única vez e aguardou três longos minutos até que alguém abrisse a porta.
Ali estava ela. Não era particularmente magra, nem gorda. Tampouco era alta, mas também não era baixa. Não tinha os olhos castanhos claros, como seu perfil descrevia. Não era nenhuma dríade, mas, para a felicidade de Carlos Alberto, não era nenhuma medusa.
Era simples. Normal. Positivo ou negativo, não tinha nada que a destacasse na multidão. Já que ele também não tinha nada de espetacular a oferecer ao mundo, sentiu-se confiante. A ida postergada por tantos anos ao dentista tinha lhe feito bem.
Sem elevar o tom de voz, mas sem sussurrar não mentiu sobre a aparência da garota. Disse-lhe sem rodeios que ela estava ok. Ela não piscou, nem sorriu. Mas, também não se fez de rogada, nem se ofendeu com o comentário desajeitado.
- Fabíola. Você gosta de pizza?
Ela acenou afirmativamente e segurou sua mão. Juntos caminharam até a Donna Nonna, onde se sentaram em uma mesa discreta. O cardápio veio e com ele duas taças do vinho da casa oferecidas como gentileza ao cliente fiel.
Comeram sem muito falar, discutindo as amenidades de um primeiro encontro. Decido a não se irritar com pequenas coisas, Carlos Alberto fingiu não se importar com o mastigar um pouco exacerbado da garota. E ela, também, NAQUELE estágio de vida se forçou a ignorar as pequenas manchas de suor amarelado na camiseta branca do rapaz.
Saíram ainda mais quietos do que entraram e caminharam de volta ao apartamento da garota. Sem cerimônia, ela o convidou para entrar e ele aceitou. Despiram-se e deitaram na cama. Transaram de forma sutil. Não foram animais, mas também não estavam mortos. Dormiram.
No dia seguinte, Carlos Alberto se levantou e voltou ao dentista para a continuação do tratamento de canal. Nunca mais telefonou para Fabíola e ela não se importou.
Desde então, ele não mais foi ao dentista e não mais ouviu o insuportável barulho do motorzinho.
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