Mostrando postagens com marcador mundo árabe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mundo árabe. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Caminho no deserto



Em configuração constante. Tento compreender o elo umbilical, mas sempre chego ao impasse da culpa. Culpa burguesa, culpa de ter, culpa de amar, culpa de me deixar amar, culpa de fugir, culpa de tentar exercer minha dita autonomia, culpa de errar, culpa também de acertar, culpa culpa culpa. Deve ser essa herança de povo do deserto...preciso de constante mobilidade...levo apenas aqueles laços que consigo carregar no lombo do camelo.









****


Culpa esta completamente improdutiva. Afinal, assim não há probabilidade de fracassar, mesmo sendo um fracasso disfarçado de pessoa completa - que não apreende o próprio fracasso e sai, por aí, ofertando pílulas de risos na tentativa de não ser vista. Ao mesmo tempo, brinco de "diário virtual" e finjo que aqui ninguém me conhece.



****




Lavo minhas mãos. Sou responsável por tudo, mas não hei de assumir "no discurso oral" minha participação. Logo, lavo minhas mãos.


****

Pra variar. Ainda é poema. E também é canção.


ANA NA CACIMBA
(domínio público, baião de princesas da Casa Fanti-Ashanti). Na voz e nas mãos do Axial.

Ana mora na cacimba
Na cacimba, eh
Ana mora na beira do rio
Na cacimba, eh
Música incidental: Tamandaré, Cacimba Nova (melodia de catimbó da Paraíba, anotada por Mário de Andrade)
Tamandaré, cacimba noca
As água toda remói

terça-feira, 20 de março de 2007

Caminhos

Deixo um poema de um escritor libanês. Caminhos ligam passado e presente numa esfera única.


Llegarás

No llegarás de un camino menos peligroso
Pero llegarás
Un poco deshabituada
Pondrás tus maletas delante de la puertaAntes de saludar
Y no llegarás
Hasta que no te pierda un poco
Hasta que algo de tu rostro
Huya hacia ese camino
Donde te esperan las paradas de tu fuga.

ABBÁS BEYDÚN

segunda-feira, 19 de março de 2007

Começo com algo meu...

Ai cruzes. Essa é uma experiência completamente nova e arriscada. Jamais pensei que entraria na onda virtual e seria capaz de expor algo à crítica...ainda que advinda de terras, espaços e relógios anônimos.

Fiquei meses...quase ano sem escrever. Não gostei muito da recentemente escrita tentativa-de-poema, mas, como exercício terapêutico (sério...é um produto da terapia, análise ou whatever it's called)... aí vai:





Lamento da mulher árabe



Acompanho a cadência do teu lábio

que beija o meu.

Rubro fica o rosto,

descobristes o meu véu.



Achastes meus olhos fundos,

doídos dentro da herança

-ah, rompestes meus rumos

e negastes minha infância.



Descobristes o véu

e descobristes o quê?

Resta eu mulher?

Gusta e consomes o que vê.



Nos teus lábios a cadência

renega minha origem,

todo meu jeito coberto

envelhecido na fuligem do meu maternal deserto.



Achastes a odalisca

presa pelo ifrit na miragem?

Ou encontrastes meio seio nú

exposto - assim tão fácil - em toda paisagem?


****


Cabe uma imagem? La belle Arletty. A amante do incrível les enfants du paradis. Musa do Je suis comme je suis do Prévert. Em breve posto esse poema por aqui.