
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Cartas marítimas
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
O pulitzer da solidão
Uma passagem do último livro do Philip Roth, "Homem comum", me chamou muita atenção. Ela é relativamente simples e não tem nada de excepcional como literatura, mas casa muito bem com a situação de desconsolo que o livro propõe: o envelhecer, a morte e a vida em toda sua pobreza. No imaginar das relações shakespearianas como pontos sadios e lúdicos, quando na verdade, resta apenas a mais violenta solidão. O encontrar-se com o outro é sempre violentamente individual e a paixão é terrivelmente amarga de tragar (e viva meu plágio de Chico Buarque)....
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Fica a passagem:
"'O que fiz de tão errado?', perguntou Phoebe, 'pra você querer me humilhar dessa maneira? Porque é que você quis destruir tudo? Será que estava tão horrível assim?Eu já devia ter me recuperado do choque, mas não consigo. (...) Você nem sabia que eu sabia, não é? Então, eu sabia.' (...) Mas essas histórias são muito conhecidas e não é preciso entrar em maiores detalhes. Phoebe o expulsou na noite após o enterro de sua mãe; eles se divorciaram depois de negociar um acordo financeiro..."
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E o Pulitzer vai para a solidão...não é uma grande literatura em termos estéticos, mas é uma "pêga" (como diz o povo que tanto amo) ... é uma "pêga de tratado filosófico"....
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Imagina se a cada sinapse tocássemos música
como um player de algum tipo, ou um radiozinho pronto para o apertar de um botão....
Fica aí, a chanson do momento...do Camera Obscura.
Come back Margaret
Come back Margaret he wants to adore you
Come back Margaret I'd like to explore you
Can't you see the tears in my eyes
With love for him I disguise
I like the free days with no expectations
I like it my way with no limitation
Still you see there are tears in my eyes
With love for him I despise
Darling you will always be around
Whether my mood's up or if it's down
In dreams I try to take you far away
But you never stay
No you never stay
No you never stay
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No começo eu achava que minha vida era deliciosamente um filme francês. Hoje cansei dos roteiros Truffaut que me perseguem. Quero ser Spielberg (vale até terror ou tragédia hollywoodiana); quero maluquices Almodóvar, quero até Império dos Sentidos e morrer daquele jeito asqueroso. Quero mais que a lamentação, a filosofia e os acontecimentos randômicos que andam com tanta persistência atrás de mim.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
desculpas, medo, perda
Um
isqueiro sem botão para pressionar
Um cigarro não aceso,
eu e a tensão de te aguardar.
Dois?
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Meu meio seio
Dentre todas as Almas já criadas
Emily Dickinson
Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha -
Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for -
Quando o que é - e o que já foi - ao lado -
Intrínsecos - ficarem -
E o Drama efêmero do corpo -
Como Areia - escoar -
Quando as Fidalgas Faces se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se -
Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!
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No ritmo de menina, posto um meu:
Que fique claro que em nenhum momento me comparo a Emilly D. Certamente uma das grandes representantes da poesia. A ambigüidade e a multiplicidade de significados que ela buscou em seus versos fazem do resto dos "pretensos escritores" (como eu) descobrir que somos ainda (e talvez, para sempre) muito literais.
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Poeminha de contos-de-fada
Tem um príncipe:
montado num cavalo chileno de sela verde.
Ele queria uma princesa
e encontrou uma rã.
Ele queria dar um anel a uma moça,
deu foi uma adaga ao vilão.
Ele queria pescar uma truta para o jantar
e acabou comendo as minhocas da isca.
Ele queria ser amado,
e o foi verdadeiramente.
A rã aguardou sua transformação,
mas como lagarta ao casulo voltou.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Êxodo dos fantasmas, das coisas translúcidas e das teias
Não está terminado, mas ele (o poema) praticamente "se postou" sozinho. Acho que precisava exorcizá-lo porque aqui, escrito no caderno, ele olha para mim como se contestasse quem sou.
Alguns personagens tendem a me perseguir: a espreitar assim, quietinhos, meu cotidiano para então denunciá-lo a todos os cantos, a todas as teias e a todas as moscas, aguardando enfim a chegada de uma aranha grande e triste.
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Suspiro
Se todos falassem tua língua
Beberias teu próprio veneno
Comerias tua fruta finita
E andarias assim tão pequeno.
Não mais denunciarias meus beijos.
Ardilosos seriam os outros,
Engrandecidos pela tua pequenez,
Convencidos de não serem mais ogros
Ah. Se ao menos roubassem tua força,
Eu seria virgem novamente,
Amaria, me deitaria não importa onde
E tu sofrerias como uma moça frágil
(Que hoje sou eu)
Se matassem todos teus sonhos
E aniquilassem teus comandos
Eu seria eu mesma, sem roubos.
Finalmente livre e feliz.
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quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Democratização do ego
Um daqueles dias de inverno: o frio interno e a banheira. Deixo apenas um poema antigo, inacabado, não-corrigido, mas que de alguma forma, precisa aparecer no meu universo virtual. Universo este, cada vez mais exposto. Presente e identificando cada pedaço da minha persona, ou personas. Já que são várias...todas aí (ou aqui) tolas, se mostrando verdadeiras como partes de mim. Nossa...ego na internet...maravilhas do mundo moderno...democratizar a informação inútil da terapia pessoal...Maravilha!
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Canto passado
A camisa desabotoava sozinha,
o pé direito insistindo em se contorcer.
Na falta da cama, o batente
segurava o corpo.
Teu sussurro repetia o verbete ‘você’
O ventre doía
Tuas mãos trêmulas
abafavam o som da cômoda
que rangia.
Os suspiros calados,
os murmúrios torpes
ao alcance de todos
Mantinham-se únicos,
privados.
Éramos tão tolos!
O beijo tímido,
a vestimenta recomposta.
Abria-se a porta e
O grito da mãe avisava o fim do amor:
A mesa estava finalmente posta.
terça-feira, 3 de abril de 2007
Cores, formas e funções
Todos nós desempenhamos e exercemos (com esforço) papéis relativamente únicos e singulares nas nossas relações. Sejam elas complexas, superficiais, diárias, distantes, ficcionais ou terapêuticas.
Cabe a ti toda essa minha insanidade
cabe a ti esse meu percurso.
Essa via de mão-dupla,
esse estigma,
essa maldade.
Cabe a mim garantir teu sorriso
garantir teu pranto
E todo movimento esférico da tua personalidade
Cabe a mim garantir o enigma,
Garantir a manutenção desse estado todo de saudade.
Cabe a ti, cabe a mim, cabe a nós
cada momento
cada desejo, cada sonho vão
cada promessa, cada garantia, cada paz
cada cisão
Cabe a ti, cabe a mim, cabe a nós
a vida, o pedido e a mão.
o progresso, o tempo,a eternidade, o instante e o não.


