quarta-feira, 21 de março de 2007

Todo amor dos jovens não é propriamente amor.

Escrevo via Rilke um recado...

"Amar também é bom: porque o amor é difícil. O amor de duas criaturas humanas talvez seja a tarefa mais difícil que nos foi imposta, a maior e a última prova, a obra para a qual todas as outras são apenas uma preparação. Por isso, pessoas jovens que ainda são estreantes em tudo não sabem amar: tem que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças concentradas em seu coração solitário, medroso e palpitante, devem aprender a amar. Mas a aprendizagem é sempre uma longa clausura. Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora é solidão, isolamento cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. Que sentido teria a união de algo esclarecido, inacabado, dependente? O amor não é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz , uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos ("escutar e martelar dia e noite"). A fusão com o outro , a entrega de si, toda espécie de comunhão não são para eles (que deverão ainda juntar durante muito, entesourar); são de açgo acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana."

Deixo um breve trecho de Cartas a um jovem poeta, do Rilke. Livro que li, reli e treli. Muito pouco dele compreendo, talvez porque com ele eu veja muito de mim - daquilo que não quero ver.
No mais, registro essa pequena parte para alguém (inominável), mas real em toda minha imaginação.

terça-feira, 20 de março de 2007

Caminhos

Deixo um poema de um escritor libanês. Caminhos ligam passado e presente numa esfera única.


Llegarás

No llegarás de un camino menos peligroso
Pero llegarás
Un poco deshabituada
Pondrás tus maletas delante de la puertaAntes de saludar
Y no llegarás
Hasta que no te pierda un poco
Hasta que algo de tu rostro
Huya hacia ese camino
Donde te esperan las paradas de tu fuga.

ABBÁS BEYDÚN

segunda-feira, 19 de março de 2007

tecnofobia

...só preciso informar: como odeio minha tecnofobia....me sinto completamente incapaz no meio da onda tecnológica. Como vou sustentar todas essas frases e imagens "pós-modernas" (adjetivo estranho) sem dominar o instrumento?

Começo com algo meu...

Ai cruzes. Essa é uma experiência completamente nova e arriscada. Jamais pensei que entraria na onda virtual e seria capaz de expor algo à crítica...ainda que advinda de terras, espaços e relógios anônimos.

Fiquei meses...quase ano sem escrever. Não gostei muito da recentemente escrita tentativa-de-poema, mas, como exercício terapêutico (sério...é um produto da terapia, análise ou whatever it's called)... aí vai:





Lamento da mulher árabe



Acompanho a cadência do teu lábio

que beija o meu.

Rubro fica o rosto,

descobristes o meu véu.



Achastes meus olhos fundos,

doídos dentro da herança

-ah, rompestes meus rumos

e negastes minha infância.



Descobristes o véu

e descobristes o quê?

Resta eu mulher?

Gusta e consomes o que vê.



Nos teus lábios a cadência

renega minha origem,

todo meu jeito coberto

envelhecido na fuligem do meu maternal deserto.



Achastes a odalisca

presa pelo ifrit na miragem?

Ou encontrastes meio seio nú

exposto - assim tão fácil - em toda paisagem?


****


Cabe uma imagem? La belle Arletty. A amante do incrível les enfants du paradis. Musa do Je suis comme je suis do Prévert. Em breve posto esse poema por aqui.