quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

para perto


E no meio do rio, fez-se um peixe. E no meio do peixe, surgiu um homem. Não era boto, nem manati. Mas, trazia consigo todas as lendas do mundo. Lendas que encantaram a menina loura e a levaram novamente ao encanto do sonho. 


obrigada. 



sábado, 20 de dezembro de 2008

olha o começo

caiu da ponte meu tamanco. Não jogou a bicicleta pelos rios. Deixou somente um vazio.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

aos tamancos - parte 2

Volto ao momento adolescente. 
Para os tamancos.
O mesmo enredo de sempre, o mesmo personagem. O livre arbítrio e você, esquecendo sempre do elemento destino.

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Queria ser teu corpo
saber sempre tua temperatura
sorver a chuva que te molha
e acordar na tua boca
como saliva ácida
queimando tuas dores
ardendo em tua febre
viver na tua morte
recorrer ao segundo da tua eternidade

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o seu olhar


Paulo Tatit / Arnaldo Antunes

O seu olhar lá fora,
O seu olhar no céu,
O seu olhar demora,
O seu olhar no meu,
O seu olhar, seu olhar melhora
Melhora o meu.

Onde a brasa mora e devora o breu
Como a chuva molha o que se escondeu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu.

O seu olhar agora, o seu olhar nasceu, o seu olhar me olha, o seu olhar é seu.
O seu olhar, seu olhar melhora, melhora o meu...



domingo, 17 de agosto de 2008

ao homem dos tamancos


A solidão dos além mares bate a minha porta. Repercurso. Revontade. ReJulia.


Em um momento bem menininha, bem diário virtual, posto uma canção:
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You must have fallen from the sky
Glen Hansard & Marketa Irglova




"You must have fallen from the sky

You must have shattered on the wrong way

You brought so many to the light

And now you're by yourself

There comes a point in every fight

Where giving up seems the only way

When everyone has said goodbye

And now you're on your own

And if you need somewhere to fall apart

Somewhere to fall apart.

When the rules of Cain

The rights you made

The hours did crawl

For those to blame

The broken glass

The fool that asked

The moving arrow to stop

You must have fallen from the sky

You must have come here in the pouring rain

You took so many through the light

And now you're on your own

And if you need somewhere to fall apart

Somewhere to fall apart.


Well the ruins of man

The bloody rag

Be the fool the bull

The powdered hag

The nights that make

The rattle rag

The wolves that follow the ousted man

The falling star

The way we are Divine

The rules that never ever multiply

You must have fallen from the sky

You must have come here on the wrong way

You came among us every time

But now you're on your own

And if you need somewhere to fall apart

Somewhere to fall apart


Well they call you saint

The basket case

The rules of thumb

You have to break
The raging skull
The rag to the bull
The nails that drag
In either hand
Well I will make
My work of that
I know this place
I know this task
You must have fallen from the sky

****

Quedas, tropeços e a vontade de virar um astro...cruzar os céus, correndo, voando. Vontade de virar um tubérculo, criando raízes fundas, fundas, comendo tudo da terra, entrando na terra, me sujando de terra, aspirando terra. Vontade de virar éter e entorpecer-me de mim mesma e desaparecer em euforia, em êxtase, em ausência.


Vontade de ser espelho, daqueles quebrados, consumindo às gargalhadas 7 anos de azar.



o pacote carregou uma alma quietinha


quinta-feira, 31 de julho de 2008

engrenagem

Há tempo não posto nada por aqui. Escrevi esta brincadeira em Budapeste. Novamente, uma tentativa de conto. Ainda não sei o quanto me dou bem com esse estilo..., porém continuo me aventurando...



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Motor

Carlos Alberto chegou do dentista decidido a mudar de vida. Sua nova estrada não era algo que sabia ao certo, porém reiterou a si mesmo que não mais aceitaria os motorzinhos do mundo. Sem deixar que o tempo lhe roubasse os desejos, correu para a frente do computador e encontrou na página solteiroqueralguém.com alguém com quem pudesse jantar.

Com pouco ou nenhum talento para escolher seu traje para o grande evento, optou por uma calça jeans e uma camiseta branca. Escolheu uma das últimas cuecas novas do pacote de R$15,99 e calçou um par de meias limpas.

Caminhou apressado, deixando as marcas do solado de borracha na saída. Tropeçou uma vez no portão e lembrou que não mais poderia evitar o conserto do pavimento no quintal. Decidiu, porém, que essa seria sua atividade de domingo, já que o jogo de futebol com Cléber fora cancelado.

Continuou correndo ofegante para o ponto de ônibus. Assim que se encontrou sozinho na rua, aproveitou e deu uma cheirada no próprio sovaco. Estava em ordem. Achou melhor não pegar o carro, pois assim teria a chance de acompanhar, a pé, a moça até sua casa. Como não tinha muito a oferecer, preferiu apostar que ela notasse o quanto era alto e atlético.

Fingindo ser um homem confiante tocou a campainha uma única vez e aguardou três longos minutos até que alguém abrisse a porta.

Ali estava ela. Não era particularmente magra, nem gorda. Tampouco era alta, mas também não era baixa. Não tinha os olhos castanhos claros, como seu perfil descrevia. Não era nenhuma dríade, mas, para a felicidade de Carlos Alberto, não era nenhuma medusa.

Era simples. Normal. Positivo ou negativo, não tinha nada que a destacasse na multidão. Já que ele também não tinha nada de espetacular a oferecer ao mundo, sentiu-se confiante. A ida postergada por tantos anos ao dentista tinha lhe feito bem.

Sem elevar o tom de voz, mas sem sussurrar não mentiu sobre a aparência da garota. Disse-lhe sem rodeios que ela estava ok. Ela não piscou, nem sorriu. Mas, também não se fez de rogada, nem se ofendeu com o comentário desajeitado.

- Fabíola. Você gosta de pizza?

Ela acenou afirmativamente e segurou sua mão. Juntos caminharam até a Donna Nonna, onde se sentaram em uma mesa discreta. O cardápio veio e com ele duas taças do vinho da casa oferecidas como gentileza ao cliente fiel.

Comeram sem muito falar, discutindo as amenidades de um primeiro encontro. Decido a não se irritar com pequenas coisas, Carlos Alberto fingiu não se importar com o mastigar um pouco exacerbado da garota. E ela, também, NAQUELE estágio de vida se forçou a ignorar as pequenas manchas de suor amarelado na camiseta branca do rapaz.

Saíram ainda mais quietos do que entraram e caminharam de volta ao apartamento da garota. Sem cerimônia, ela o convidou para entrar e ele aceitou. Despiram-se e deitaram na cama. Transaram de forma sutil. Não foram animais, mas também não estavam mortos. Dormiram.
No dia seguinte, Carlos Alberto se levantou e voltou ao dentista para a continuação do tratamento de canal. Nunca mais telefonou para Fabíola e ela não se importou.

Desde então, ele não mais foi ao dentista e não mais ouviu o insuportável barulho do motorzinho.